Sem mascaras em PROJETOS REAIS !!

Esses dias recebi uma mensagem intrigante enviada por um aluno de Engenharia de Software de uma outra universidade:

“Foi comentado em minha aula de engenharia de software sobre um elemento, o qual eu não entendi muito, algo que é citado em alguns livros da engenharia, chama-se “o homem mascarado” ou ” homem da mascara” e gostaria de saber que papel ele representa na engenharia de software e aonde posso encontrar mais sobre isso”.

Quando li esta mensagem pensei, de imediato, tratar-se de algum aluno ou amigo que estava querendo fazer alguma brincadeira. Tenho de assumir que não tinha conhecimento para respondê-lo, e uma vez que existem tantas buzzwords na nossa profissão, com traduções pouquíssimo utilizadas que me fizeram descartar qualquer possibilidade de ser verdadeiro os questionamentos sobre qualquer que fosse o papel, ou prática que envolvessem um “homem mascarado” ou um “homem da mascara”, junto ao escopo de engenharia de software.

O termo Masked Man, utilizado na década de 80 pelo desenhista B. C. Boyer para um personagem mascarado que combatia o crime, foi utilizado uma outra vez uma década depois no paper Tool Support for Project Tracking da coluna Best Practices na revista IEEE Software escrita mensalmente pelo Steve McConnell, autor do livro Code Complete.

Segundo Steve, é imprescindível o acompanhamento dos planos e cronogramas de nossos projetos em tempo real, se você não realiza atividades como esta, seja como membro de uma equipe auto-gerenciada ou gerente de projetos, você possivelmente irá falhar. Dentro deste contexto é apresentado no paper como boas práticas, funcionalidades de alguns softwares modernos como a “Homem Mascarado” ou “Masked Man”. Esta estratégia tecnológica apresenta uma forma imparcial e anônima para o reporte de más notícias dentro de projetos. Diferentemente de mensageiro das boas notícias, aquele que carrega más notícias pode ser de alguma forma penalizado e  para tal é aconselhado a utilização de murais eletrônicos com postagem anônima visível em toda a hierarquia da empresa, onde qualquer funcionário pudesse ressaltar problemas individuais ou coletivos .

“If developers are turning their code over to testing later than scheduled, a concerned tester can report that. If testers are releasing builds to documentation that have not been well tested, a concerned technical writer can report that. If a project manager is exaggerating the project’s progress in reports to upper management, a concerned developer can report that.”

As metodologias atuais, principalmente as ágeis definem como de valor ao sucesso do projeto uma boa comunicação, o manifesto ágil define os indivíduos e as suas interações acima de processos e ferramentas, e é isto que vejo falhar o conceito do Masked Man, a burocratização e impessoalidade do feedback
funciona como comando controle gerando mais desconforto entre a equipe do que melhorias.

Segundo Kent Beck, em seu livro Extreme Programming Explained, quando analisamos os problemas que ocorrem nos projetos, vemos que muitos deles foram provocados por alguém que não conversou com outro alguém sobre alguma coisa importante. Esta má comunicação não acontece por acaso, e é neste ponto que surgem práticas como a proposta por Steve McConnell, que tendênciam o distanciamento entre membros e a demora nos feedback, um programador não deve ser punido pelo seu gerente ou colega por lhe apresentar uma má noticia.

As correções no caminho do projeto devem ser sempre realizadas e o máximo de informações recebidas de forma honesta, franca e o quanto antes são primordiais. Então antes de tornarmos ainda mais complicada a convivência em nossas empresas, com a utilização de práticas anti-produtivas, devemos nos esforçar para cultivar e estimular as práticas que fortalecem o comprometimento e impessoalidade em nossas equipes e projetos. Antes que nossa equipe comece a tirar o pó de seus currículos, devemos estimular práticas como as reforçadas por Esther Derby e Diana Larsen, em Agile Retrospectives, estratégias são encontradas no dia-a-dia e podem ser reforçadas ciclo após ciclo, adaptando decisões ou encaminhamentos pessoais de forma impessoal. Antes de tudo somos times.