Café Ágil em Recife

No último sábado, 15 de maio, estive em Recife para um evento rápido e bastante interessante o Café Ágil. Esta iniciativa da ThoughtWorks Brazil juntamente a UFPE reuniu, em um sábado ensolarado,três palestrantes de peso, Paulo Caroli(TW Br), Luiz Borba(Pitang) e Jim Webber(TW UK) e cerca de 90 pessoas no anfiteatro do Centro de Informática da UFPE, para tratar assuntos como XP, TDD e Rest.

Café Ágil Recife

O evento foi iniciado às 08:30h como suscinta o nome regrado a café e muita conversa. Conheci de cara o pessoal do SCRUM Paraíba e confesso que não sabia da existência do grupo até aquele momento.

Até trocamos nossas farpas sobre a localização das praias mais bonitas, mas sob o efeito do café acabamos trocando várias informações sobre os mercados de nossas cidades,  nossa vivência e visões sobre o comportamento ideal de lideres e equipes em ambientes ágeis ou não.

Do lado de fora, como não haveria de faltar, tínhamos um quadro com alguns tópicos que seriam escolhidos para serem tratados durante a mesa redonda ao final do evento. Ví a Camila Tartari(TW Br) trocando algumas canetas por participação, e é claro eu como viciado convicto em canetas aproveitei para marcas os dois temas que achava mais interessantes.

XP É CONTRA O DESIGN?

O Paulo Caroli (@paulocaroli) iniciou sua apresentação intitulada O XP não é contra Design às 09:15h, pedindo desculpas pela perda de fluência no português, segundo ele nada que não se corrija com o tempo, o sotaque carioca já estava voltando então o português também voltaria. Logo em seguida fomos levados pela trajetória profissional do mesmo, do mestrado em OO e metodologias para desenvolvimento web na PUC Rio e seu grande interesse em design patterns e frameworks, até a compra do livro do Kent Beck Extreme Programming Explained em 2000. Durante esta época de experiência no exterior, o Paulo, se intitulava arquiteto e se questionava visualizando as premissas e as práticas trazidas pela metodologia se o XP era realmente contra o DESIGN, com o longo do tempo ele descobriu que não e em seguida iniciou realmente sua palestra apresentando a agenda a ser tratada.

Durante a década de 90 existiam muitos livros de metodologia, e estes normalmente eram muito pesados, com muitas fases. Segundo o Paulo, algumas pessoas estavam propondo visões diferentes, entre eles o Kent Beck, que tendo observado melhorias no processo e ambiente de desenvolvimento obtido na construção do Sistema de Compensação da Chrysler (Comprehensive Compensation System – C3) propunha práticas e valores agrupados sobre o nome de XP.

O XP apresentou 4 valores12 práticas em sua primeira versão, que segundo o Paulo foram bastante impulsionados pelo momento da área de TI; existiam muitas consultorias, ambientes fisicamente distantes, fases muito longas, software muito distante do desejado, entre outros problemas. Valores focam em comportamento e em como tornar simples e natural decisões e ações. Para problemas com requisitos ou disparidade do produto desejado, valores como comunicação e feedback; retorno a cada iteração para desenvolvedores e clientes, todos sentados em uma big table para compreender o desejado e show cases no termino de ciclos para que todos tenham visão do realizado. Coragem para realizar grandes mudanças e simplicidade para resolver grandes problemas por partes.

Como a primeira versão mostrou-se muito extremista adicionou-se um novo valor de grande importância, RESPEITO, com este completasse a vontade de melhoria continua, muitos dos desenvolvedores que estavam voltados apenas para suas preocupações vêem  então o conhecimento dos demais desenvolvedores, clientes e etc.

Logo em seguida foram apresentadas e definidas cada uma das 12 práticas do XP. Neste ponto o Paulo expôs um dado curioso de sua vivência relacionado a terminologia aplicada a algumas das práticas como planning game, segundo o mesmo normalmente não é bem interpretado, principalmente em empresas com pessoas engravatadas, trabalhar com uma prática denominada jogo do planejamento.

Só para recordar foi apresentado pelo Paulo um ciclo de vida de um projeto realizado dentro de uma metodologia tradicional, com as fases de coleta de requisitos, analise, design, codificação, teste e correções e integração. Neste modelo o funcionamento era um pouco conturbado, mas existia uma fase especifica e definida para o design onde as decisões eram tomadas e consolidadas na fase de analise e design.

Já em um ambiente puramente XP onde fica o design da arquitetura e  as variações compreensíveis de design? Para o Caroli existe uma divisão entre arquitetura e design, a primeira compreende as decisões que precisam ser tomadas de imediato e que alterações futuras sejam caras. Desta forma compreende-se a realização no xp de uma fase inicial para decisões arquiteturais e a realização paralela de vários processos e o design entra aí. Acontecem decisões de design o tempo todo levando em consideração apenas o último momento oportuno para a decisão.

O XP não é contra o design e sim favorece a melhora e evolução continua do design, para produtos melhores e entregues o quanto antes.

TDD direto das Trincheiras

O Luiz Borba iniciou sua palestra sobre a experiência em implantação de TDD às 10:20h. A palestra foi bem interessante com muitos momentos de descontração. O Luiz é gerente da Pitang e participou da implantação, que segundo ele só ocorreu devido a exigência de clientes, de desenvolvimento orientado a testes.

Quem sabe oque é TDD, foi a primeira pergunta realizada, acompanhada pela quem usa ressaltou a necessidade da discussão, segundo Borba muitos estudam mas poucos se convencem da real eficiência. Programadores gostam de desenvolver e gerente de governar, e ninguém gosta de testar. TDD deixa os desenvolvedores programar testes e isto é excelente.

Segundo Borba um dos principais problemas na implantação é a cultura da implantação muitas vezes um desenvolvedor rendido aos testes os esquece rapidamente se não houver quem o lembre e o obrigue a realizar os testes. uma vez superada a fase inicial, é iniciado um novo problema; desenvolvedores acostumados com testes se desesperam quando não os possuem em outros projetos.

Fotos do evento